A América Latina e os fatores para o seu desenvolvimento.

Quero nesse artigo trazer aos leitores uma reflexão a respeito dos Estados da América Latina que obtiveram sua independência 150 anos antes de países que na atual conjuntura são players importantes no cenário internacional, como Singapura, e ainda sim até hoje não conseguiram alavancar sua economias, seus setores de inovação tecnológica etc. A princípio pergunto: será que há alguma relação entre essas variáveis e o desenvolvimento de um Estado?

A edição online do primeiro bimestre de 2011 da revista Foreign Affairs traz um interessante artigo sobre o desenvolvimento no continente latino-americano, bem como as variáveis positivas e negativas – as que retardam ou ainda impedem o mesmo. O “curioso” disso tudo é que o artigo fala em quase sua totalidade apenas a respeito da variável cultural, artigo esse que foi escrito pelo Nobel da Paz e ex-presidente de Costa Rica, Oscar Arias. É bom ressaltar que o viés cultural observado, trata do modo como os Estados têm se posicionado frente ao processo histórico da colonização, como ocorreu o processo de independência, dentre outros.

Em se tratando de desenvolvimento (bem como o da América Latina) e discorrendo sobre esse assunto tão importante, tanto em âmbito interno, regional e internacional vale a pena pensarmos em diversas variáveis que conjuntamente levam ao desenvolvimento ou não de um determinado Estado, região etc.  Ainda falando sobre essa questão cultural mencionada no parágrafo anterior, O. Arias defende que os países em questão se escondem em atitudes passadas da Espanha, EUA e Organizações Internacionais ligadas à questões econômicas. Para ser mais exato o autor defende que os Estados da América Latina usam como desculpa para o não desenvolvimento o fato da Espanha ter abusado economicamente de suas ex-colônias no passado e ainda hoje os EUA, que apesar de não ter tido colônias na região, sempre se fazem presente em assuntos diversos ainda que não sejam chamados. E para engrossar o discurso de desculpa, dizem (os países latino-americanos) que Organizações Internacionais se arranjaram no passado com o intuito de travar o tal desenvolvimento e usar a globalização para manter tais países sempre atrás dos outros.

Para concluir o estudo em questão o autor cita que vários países ao redor do mundo já passaram por situações semelhantes (se é que foram essas as causas reais do fraco desenvolvimento – grifo meu), contudo esse não seria um argumento convincente. Para reforçar essa idéia o autor ainda cita o PIB e a educação (de nível superior) como duas importante variáveis para se medir o crescimento desses que tiveram progresso melhor e mais rápido, em relação a países latino-americanos.

Dados interessantes mostram que quando a Universidade de Harvard foi criada já existiam boas instituições em vários países da América Latina, além do mais antes do primeiro quarto do século XIX, o PIB desses era maior que o norte-americano, e hoje não o é nem de longe – passados vários anos. Mediante tal fato, fica uma indagação: Por que os Estados latino-americanos não conseguiram acompanhar outros países que tinham PIBs menores e investiam tanto ou mais em educação de nível superior? Uma coisa é certa; se dependesse apenas de ambas variáveis tais países com certeza teriam levado a região à posições de destaque no cenário internacional.

É bem verdade que o histórico dos países que foram colonizados pela Espanha e por Portugal (no caso do Brasil); a intervenção dos EUA em diversos assuntos na região bem como os consequentes ganhos geopolíticos e financeiros dos interesseiros do norte e as consequências positivas ou não (na região) da globalização, influenciaram no desenvolvimento da América Latina. Mas será que a análise do acontecimento se limita aos interesses de outras nações que por aqui estiveram, ou ainda, será que é analisada apenas tendo como base o PIB e a criação de universidades nesses Estados, ou vai além disso?

É sabido que o “Sistema Nacional de Inovações”, o SNI, é um fator que gera grandes impulsos no desenvolvimento geral de uma nação, pois a partir do momento que esta cria um ambiente propício para se inovar, se atualizar, se recriar em áreas como a da educação, ciência e tecnologia,finanças dentre tantos outros, este país é favorecido pelo surgimento de novos conhecimentos; conhecimentos esses que geram ganhos econômicos, sociais, políticos etc.  Estou citando o SNI para novamente refletir sobre as causas do baixo desenvolvimento latino-americano, pois como foi questionado, os Estados em questão tiveram a dois séculos atrás tudo para largarem na frente e estarem atualmente em posições muito melhores, o que de fato não ocorreu.

Na minha opinião o que falta – não somente para países da América Latina, mas para os da África, Oriente Médio, Leste Europeu e todos outros países pobres e/ou em desenvolvimento, é uma maior atenção ao nível de investimento em SNIs. Imagine pois, se o Brasil (apenas como exemplo) destinasse um maior volume de capital para o desenvolvimento de descobertas tecnológicas que otimizassem o setor agrícola, de forma que acelerassem a produção para aumentar a exportação de commodities! Ou ainda, o que aconteceria se o Brasil destinasse um maior volume de capital para a melhoria de laboratórios de P&D, haja vista que estes em sua grande maioria possuem estruturas físicas que são precárias.

O quero dizer com isso é que o fraco e lento desenvolvimento dos países latino-americanos é consequência de diversos fatores que não devem se esconder na minha opinião, na história da colonização e exploração do próprio continente apenas. Concordo que os fatores expostos no artigo analisado são reais, verdadeiros e factíveis; mas por outro lado não posso deixar de expor que a negligência por parte de chefes de Estado em relação à melhorias como um todo, em diversas áreas de interesse para o desenvolvimento de uma nação, atrapalharam e até hoje o fazem. Espera-se que chefes de Estados dêem maior atenção à variáveis de peso que levarão ao desenvolvimento de seus países, buscando cenários favoráveis ou pelo menos propícios a tal ambiente, prezando pelo bem comum da região; o que com certeza afetará questões referentes às políticas macroeconômicas, políticas externas e políticas de comércio exterior entre os próprios países da América Latina, que automaticamente levará à expansão desses países.

Fonte:

Foreign Affairs: http://www.foreignaffairs.com/articles/67202/oscar-arias/culture-matters

Fotos e Rumos: http://www.fotoserumos.com/ala.htm

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